Minha obsessão, contudo, não residia no passado, mas no Pavor do que o amanhã exigia.
A perspectiva da alvorada — aquela aurora cruel que me arrancaria deste santuário de sombras para me lançar nas engrenagens desalmadas do labor humano — tornara-se meu carrasco.
Eu via, no visor gélido daquele objeto, não as horas, mas as garras de um monstro que devorava minha liberdade.
"A sanidade é um fio de seda esticado sobre o abismo do dever.
No domingo, esse fio vibra com uma nota tão aguda que o cérebro ameaça partir-se em mil fragmentos de desespero."
Senti uma umidade gélida em minha fronte.
Seria o suor da febre ou o orvalho de uma tumba aberta?
A ideia do "Trabalho", essa entidade abstrata e voraz, personificava-se em minha mente como um mestre de cerimônias pálido, pronto para me acorrentar a uma escrivaninha de burocracia e monotonia, onde minha essência seria moída até tornar-se pó.
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