segunda-feira, 30 de março de 2026

O HORROR DA ENGRENAGEM INVISÍVEL

Minha obsessão, contudo, não residia no passado, mas no Pavor do que o amanhã exigia. 

A perspectiva da alvorada — aquela aurora cruel que me arrancaria deste santuário de sombras para me lançar nas engrenagens desalmadas do labor humano — tornara-se meu carrasco. 

Eu via, no visor gélido daquele objeto, não as horas, mas as garras de um monstro que devorava minha liberdade.

"A sanidade é um fio de seda esticado sobre o abismo do dever. 

No domingo, esse fio vibra com uma nota tão aguda que o cérebro ameaça partir-se em mil fragmentos de desespero."

Senti uma umidade gélida em minha fronte. 

Seria o suor da febre ou o orvalho de uma tumba aberta? 

A ideia do "Trabalho", essa entidade abstrata e voraz, personificava-se em minha mente como um mestre de cerimônias pálido, pronto para me acorrentar a uma escrivaninha de burocracia e monotonia, onde minha essência seria moída até tornar-se pó.

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