Encontrava-me encerrado em meu gabinete, onde o cheiro de mofo e pergaminho antigo se misturava ao perfume acre das velas que expiravam em espasmos de luz.
O sol, em seu declínio tétrico, infiltrava-se pelas frestas das pesadas cortinas de veludo, projetando sombras que, juro-vos, possuíam uma vontade própria e malévola.
A melancolia não era apenas um sentimento; era uma presença física, um sudário invisível que apertava meu peito.
Eu observava o pequeno artefato de vidro e metal sobre minha mesa — um relógio de quartzo, cujo tique-tique rítmico ecoava como o martelar de pregos em um caixão ainda vazio, mas já destinado à minha alma.
Cada segundo era um grão de areia de minha própria existência que se esvaía para o abismo do inefável.
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