À medida que a noite avançava, o som aumentava.
Tum-tum. Tum-tum.
Não era meu coração.
Era o som do mundo lá fora, preparando-se para me consumir.
O domingo estava morto, e eu era o seu único e desesperado choroso.
As sombras nas paredes agora dançavam um minuetto macabro, e cada batida do relógio ecoava como um grito de uma vida sendo enterrada viva sob toneladas de obrigações triviais e relatórios sem alma.
"Basta!" gritei para o vazio, mas o eco devolveu-me apenas o escárnio de minha própria impotência.
O estupor da meia-noite aproximava-se.
Eu não era mais um homem; era um condenado em sua cela, observando o carrasco — a luz da manhã — afiar a lâmina do novo dia.
A revelação final é de uma sobriedade aterrorizante: o verdadeiro horror não reside nos espectros ou nos mausoléus, mas na repetição cíclica da servidão que nos rouba a eternidade.
Quando o primeiro raio de sol tocou o assoalho, eu já não possuía razão.
Eu era apenas mais uma engrenagem, lubrificada pelas lágrimas de um domingo que se recusava a findar em minha memória.
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